Precisamos viajar para obter o efeito de ‘Alegria’ de viagem?

felicidade férias Jul 13, 2019

Para viajantes inveterados, uma viagem boa e longa pode ser a única maneira de sentir a ‘adrenalina’ (motivação) que viagens oferecem. O único problema é quando só se considera que a vida está sendo vivida quando chegam as férias.

Eu era uma dessas pessoas que viviam pelas férias que estavam por vir. Durante os meus muitos anos de trabalho em hospitais como médica residente e depois da residência, em que eu estava sempre tão exausta, que as férias eram minha pequena escapatória e chance de descansar e viver a vida … Faltava equilíbrio, né?  

Ao longo dos anos fui entendendo que a vida ocorre no dia a dia, e não numa projeção contínua de me permitir viver somente em pequenos períodos de tempo no futuro. E observei que se bem planejado e priorizado, não apenas eu poderia ter pequenos momentos de ‘time off’ durante o ano, como no cotidiano haviam oportunidades para eu ter a ‘sensação de férias’ sem ter de desaparecer por dias …

Minhas prioridades mudaram com o tempo, e observei que pra ser mais feliz com a vida, eu posso fazer melhores escolhas no dia a dia que proporcionem bem estar. Por exemplo com práticas simples como escolher desconectar completamente da vida digital por um dia ou meio dia, autos cuidados na hora de dormir e cultivar rotinas que me tragam real satisfação, desde meditação até ler um livro, escutar música com tranquilidade e assim experimentar aquela sensação agradável de relaxamento e liberdade que muitos pensam somente ser possível em férias.

E se pensarmos que as principais razões pelas quais as pessoas gostam de férias são maior senso de autonomia (ou seja, menos estrutura) e vínculo social, então, se você pode conseguir isso durante uma viagem de um dia, ou de pequenas escolhas de bem estar no dia a dia, pode-se ter o mesmo efeito de satisfação sem precisar ficar esperando pelas férias para se sentir contente e realmente vivendo a vida.

Então, se você tem alguns hábitos no cotidiano, e a curto prazo, especialmente com experiências que aumentam seu senso de autonomia e vínculo social - dessa forma, até mesmo coisas simples como trabalhar em um café em uma sexta-feira ou encontrar-se com um grupo divertido na hora do almoço, dar uma pausa rápida na sua semana para aprender algo que gosta (exemplo: idioma, cozinhar, dançar, tocar um instrumento) podem lhe proporcionar (no seu cotidiano) as mesmas sensações que tanto busca em férias. 

E então quando tirar ferias, poderá ate usufruir muito mais, pois a expectativa de total descanso e ‘felicidade’ vai ser mais ‘normal’, ou seja, mais equilibrada sem correr o risco até de se estressar e se frustrar ao querer compensar um ano inteiro de trabalho e dias mal-vividos em poucas semanas de férias.

E esse tipo de ‘desespero’ por férias chega a ser evidente quando vemos pessoas se ocuparem muito durante o tempo livre, tendo ‘agenda’ com muitas atividades, e `as vezes nem conseguem relaxar e usufruir seus acompanhantes, sua família por conta de uma super valorização de um momento visto (fantasiosamente) como um único momento de alegria e divertimento no ano.

Vocês já devem ter visto famílias brigando em férias, pais que mal vêem os filhos em resorts/hotéis que se hospedam pois as crianças estão ocupadíssimas com recreações ou aulas e eles (os pais) também ocupados pois agem partindo da premissa que  cada momento tem ser aproveitado não por prazer mas por uma obrigação de viver o que consideram ser a 'tão esperada' hora de viver a vida.

E com isso, perdem a coisa mais interessante das férias, que é a capacidade de maior conexão um com o outro pelo fato exatamente de (na teoria) se ter mais tempo livre mas que agora está ocupado com a busca desenfreada em viver cada momento prá compensar os momentos não vividos … E isso sim é uma grande perda, pois a maior vantagem das férias, é a possibilidade de construir uma conexão maior … não a única forma de conexão do ano … mas uma oportunidade maior de se estar junto, de aprofundar uma conexão que já existe (consigo, com a família e com os outros), e que tem sido cultivada habitualmente e vivenciada no dia a dia.

E aí então, férias pode ser visto como um tempo livre adicional prá aproveitar ainda mais a vida, pra poder usufruir de aventuras ou experiências mais incomuns porém sem a pressão de ser o único momento para ‘viver a vida’.

Concluindo, o importante mesmo é viver a vida no cotidiano, buscar ser feliz no dia a dia, e fazer escolhas que priorizem o nosso bem-estar, aprender a relaxar e se conectar consigo e com os outros passo a passo, `a cada dia, cada semana, com o tempo. E sei que parece muito cliché e óbvio dizer tudo isso mas esse entendimento embora tão fundamental, nem sempre é o senso comum     Pois a gente esquece, esperando as férias chegarem.

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